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Greve dos Correios começa em todo o país após categoria rejeitar proposta; empresa entra com dissídio no TST

Trabalhadores aprovam paralisação por tempo indeterminado após impasse nas negociações do ACT 2026/2028. Correios informam que ajuizaram dissídio coletivo nesta sexta-feira.

Os trabalhadores dos Correios aprovaram, na noite de quinta-feira (10/09), uma greve por tempo indeterminado em diversas bases do país. A paralisação começou às 22h, depois que as assembleias rejeitaram a proposta apresentada pela empresa durante a mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Nesta sexta-feira (11), os Correios informaram que ajuizaram pedido de dissídio coletivo junto ao TST, encerrando a etapa de negociação direta entre empresa e entidades sindicais.


A categoria disse não à proposta dos Correios

A greve ocorre depois de uma sequência de negociações da Campanha Salarial e das tentativas de mediação conduzidas pelo TST.

O principal ponto de tensão continua sendo o plano de saúde, mas a disputa envolve também o conjunto de direitos e condições previstas no novo Acordo Coletivo de Trabalho.

A proposta apresentada pela empresa durante a mediação contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo vigente, segundo os Correios. A estatal também afirma que a proposta previa reposição da inflação para salários e benefícios e manutenção da assistência à saúde, porém com mudança no modelo de gestão. 

Para os trabalhadores, entretanto, manter o plano de saúde não significa necessariamente manter as mesmas condições. É justamente nesse ponto que está uma das maiores preocupações da categoria.

A negociação terminou sem consenso e as assembleias realizadas na quinta-feira decidiram pela paralisação.

35 assembleias aprovaram a greve

O quadro divulgado pelas entidades sindicais mostra uma adesão ampla ao movimento.

Até o fechamento das informações divulgadas sobre as assembleias, 35 bases haviam aprovado a greve, enquanto o Acre tinha sua votação prevista para sexta-feira (11). 

O quadro apresentado pelas entidades foi:

  1. SINTECT/AC – assembleia posterior

  2. SINTECT/AL – GREVE

  3. SINTECT/AM – GREVE

  4. SINTECT/AP – GREVE

  5. SINTECT/BA – GREVE

  6. SINTECT/CAS – GREVE

  7. SINTECT/CE – GREVE

  8. SINTECT/DF – GREVE

  9. SINTECT/ES – GREVE

  10. SINTECT/GO – GREVE

  11. SINTECT/JFA – GREVE

  12. SINTECT/MG – GREVE

  13. SINTECT/MT – GREVE

  14. SINTECT/RO – GREVE

  15. SINCORT/PA – GREVE

  16. SINTECT/PB – GREVE

  17. SINTECT/PE – GREVE

  18. SINTECT/PI – GREVE

  19. SINTCOM/PR – GREVE

  20. SINTECT/RN – GREVE

  21. SINTECT/RR – GREVE

  22. SINTECT/RPO – GREVE

  23. SINTECT/RS – GREVE

  24. SINTECT/SC – GREVE

  25. SINTECT/SE – GREVE

  26. SINTECT/SJO – GREVE

  27. SINTECT/SMA – GREVE

  28. SINTECT/TO – GREVE

  29. SINTECT/URA – GREVE

  30. SINTECT/VP – GREVE

  31. Bauru – GREVE

  32. SINTECT/MA – GREVE

  33. Mato Grosso do Sul – GREVE

  34. SINTECT/RJ – GREVE

  35. Santos – GREVE

  36. SINTECT/SP – GREVE

A relação também foi reproduzida por entidades e veículos que acompanharam a votação nacional.

Greve começa em meio à crise dos Correios

A paralisação acontece em um momento particularmente delicado para a empresa.

Os Correios atravessam uma forte crise financeira e estão em processo de reestruturação. Ao mesmo tempo, a direção busca reorganizar a operação e reduzir despesas, enquanto os trabalhadores cobram preservação de direitos, condições de trabalho e manutenção de um plano de saúde que consideram fundamental.

É nesse ambiente que a discussão do ACT 2026/2028 ganhou uma dimensão maior.

Para o trabalhador, não se trata apenas do percentual de reajuste. O debate envolve salário, benefícios, plano de saúde, jornada, condições de trabalho e a própria capacidade da empresa de manter uma estrutura operacional adequada.


Correios acionam o TST e ajuízam dissídio coletivo

Na sexta-feira (11/09), os Correios comunicaram que ajuizaram pedido de dissídio coletivo junto ao Tribunal Superior do Trabalho.

Segundo a empresa, a medida foi tomada depois do encerramento da mediação sem acordo e da rejeição da proposta nas assembleias sindicais.

Com o dissídio, os Correios informam que encerram a etapa de negociação direta e passam a acompanhar o processo no Tribunal.

Na nota divulgada pela empresa, os Correios também afirmam que respeitam o direito de greve dos trabalhadores.


Empresa afirma que mantém operação e aciona plano de contingência

Os Correios informaram ainda que acionaram o Plano de Continuidade de Negócios (PCN) para reduzir os impactos da paralisação.

Segundo a empresa, estão sendo adotadas medidas como remanejamento temporário de empregados administrativos para a operação, redistribuição de veículos, reorganização de rotas e realização de mutirões.

A estatal afirmou que, na sexta-feira (11), cerca de 90% do efetivo permaneceu em atividade e que as agências continuaram funcionando normalmente.

Esse número, porém, é uma fotografia apresentada pela empresa em um determinado momento. A dimensão real da greve ainda dependerá da evolução da paralisação em cada unidade, turno e região.

Agora a disputa passa para o Tribunal

Com o ajuizamento do dissídio coletivo, o conflito entra em uma nova fase.

A empresa sustenta que apresentou uma proposta abrangente, enquanto os sindicatos argumentam que os pontos considerados essenciais pelos trabalhadores não foram solucionados.

O TST terá agora papel central na definição dos pontos que permaneceram sem acordo.

E existe um detalhe importante: dissídio não significa que todos os direitos reivindicados pelos trabalhadores serão automaticamente retirados ou concedidos. O Tribunal terá de analisar as questões submetidas ao processo e decidir dentro de sua competência.

Por isso, o acompanhamento das próximas decisões do TST será fundamental para a categoria.


O plano de saúde continua no centro da disputa

Entre os diversos pontos negociados, o plano de saúde aparece como um dos principais motivos de resistência dos trabalhadores.

A experiência recente da categoria mostra por que esse assunto é tão sensível.

Em janeiro de 2026, por exemplo, o STF suspendeu os efeitos de parte da decisão anterior do TST no dissídio dos Correios, incluindo justamente dispositivos relacionados ao plano de saúde, trabalho em dia de repouso, ticket extra e gratificação de férias. (Supremo Tribunal Federal).

Esse processo já está pautado para julgamento virtual pelo Plenário do STF entre 18 e 25 de setembro de 2026. O andamento oficial registra a inclusão em pauta em 8 de setembro e a publicação no DJE em 9 de setembro.

Agora, no novo ACT, a discussão retorna com força.

Para quem está na base, a preocupação não é apenas saber se haverá plano de saúde, mas como será o modelo, quem pagará a conta e quais serão as condições para trabalhadores, dependentes e aposentados.

Opinião | A greve dos Correios não acontece por acaso.

Quando uma negociação coletiva passa por várias rodadas, chega ao TST, termina sem acordo e a categoria decide cruzar os braços, existe um conflito que não foi resolvido na mesa.

E é importante separar as coisas.

A empresa tem o direito de apresentar uma proposta e buscar a recuperação financeira dos Correios. Os trabalhadores, por sua vez, têm o direito de defender salários, benefícios, condições de trabalho e aquilo que entendem como conquistas da categoria.

Se trabalhador está perdendo direitos, benefícios ou condições de trabalho, não pode ser tratado como simples custo de uma planilha.

Ao mesmo tempo, uma greve não resolve sozinha a crise financeira dos Correios. A empresa precisa de um plano de recuperação que olhe para receita, operação, investimentos, universalização do serviço e capacidade de competir no mercado — e não apenas para redução de despesas com trabalhadores.

O que está começando agora é uma nova etapa da disputa.

A categoria mostrou sua posição nas assembleias. A empresa levou o conflito ao TST. Agora, será preciso acompanhar o que será apresentado no processo e, principalmente, quais serão as decisões tomadas pelo Tribunal.

O trabalhador precisa acompanhar de perto. É o seu salário, seu plano de saúde, seus benefícios e suas condições de trabalho que estão em discussão.


E você, trabalhador dos Correios?

Sua unidade entrou em greve? Como está a situação na sua região?

Comente, compartilhe esta matéria com seus colegas e ajude a informação a chegar a quem está dentro dos Correios.

✍️ Por Junior Solid

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